Catarata em Cães: A Doença dos olhos brancos!


A catarata é uma doença comum em pessoas idosas podendo levar a cegueira quando não tratada. Nossos amigos também são acometidos por essa doença, podendo ocorrer tanto em cães e gatos, como também em coelhos, aves, cavalos, chinchilas e qualquer outro animal.

Como ocorre a catarata em cães?

A catarata ocorre quando há uma opacificação da lente do olho, ou seja, a lente (cristalino) que fica atrás da pupila e nos permite focalizar os objetos de acordo com a distância dos mesmos. Com esta opacificação, a lente perde a transparência e adquire uma cor esbranquiçada.

Essa opacificação impede a passagem da luz pela pupila, impedindo que chegue a retina.  A opacificação pode ocorrer apenas em uma porção da lente ou atingir a lente em sua totalidade, podendo ocorrer apenas em um ou nos dois olhos.

Apesar de ser uma doença comum nos cães velhinhos, ela pode ocorrer em qualquer idade, inclusive podendo estar presente ao nascimento.

A causa da catarata em cães é variável, podendo ter origem hereditária, traumática ou secundária a outras doenças como diabetes mellitus e atrofia progressiva de retina.

Cães com catarata apresentam uma área esbranquiçada visível através da pupila.

Quando a doença atinge totalmente a lente dos dois olhos, o animal perde a visão, o que é percebido como mudança no comportamento do mesmo, que inclui bater a cabeça na parede ou em objetos, evitar escadas ou passar mais tempo dormindo.

A catarata também deve ser diferenciada da opacidade nuclear do cristalino, que é o envelhecimento fisiológico da lente, que ocorre nos animais idosos, tornando a lente azulada ou acinzentada a partir dos 6 anos de idade nos cães, mas que não causa prejuízo significativo a visão.

Catarata em cães tem tratamento?

Sim! A catarata tem tratamento, porém é uma doença tratada apenas com cirurgia, a facoemulsificação.

Não existe um medicamento que possa ser usado no tratamento ou na prevenção.

A catarata é uma doença progressiva, sendo que quanto mais “velha” a catarata, pior é o seu prognóstico, pois com o passar do tempo a lente vai se tornando mais dura dificultando o procedimento cirúrgico, fazendo com que o pós-operatório seja mais difícil e as chances de sucesso fiquem reduzidas.

Além disso, a catarata pode evoluir trazendo consequências irreversíveis como o glaucoma, impossibilitando inclusive a recuperação da visão.

Infelizmente nem todos os cães estão aptos a serem submetidos a esta cirurgia, pois é necessário que o animal não apresente cegueira provocada por alterações na retina, como o descolamento de retina ou atrofia progressiva de retina.

Assim são realizados exames (ultrassonografia ocular e eletrorretinografia) para descartar as alterações que impeçam que a visão volte mesmo após a cirurgia.

O animalzinho também precisa ser dócil para que possibilite o acompanhamento oftálmico e a instilação de colírios pelo tutor durante o pós-operatório.

Além de estar em uma condição de saúde que permita a anestesia geral.

Também é de extrema importância estar com a saúde bucal em dia, pois as bactérias da boca podem migrar para regiões dos olhos através do ducto naso-lacrimal.

Mesmos os cães que não apresentam indicação de cirurgia precisam do acompanhamento do veterinário para controle da inflamação e da dor provocada pelas alterações consequentes da catarata (uveíte, glaucoma), garantindo assim uma vida confortável, além de orientar o tutor com medidas que facilite a adaptação do animal à cegueira.                                                Olho esquerdo após facoemulsificação e impante de lente intraocular

É importante observarmos os olhos dos animais e diante de qualquer alteração procurar assistência veterinária o mais rápido possível.

No caso de alterações oftálmicas, o mais indicado é procurar um médico veterinário oftalmologista, pois além do treinamento especializado, este profissional possui os equipamentos necessários para correta avaliação dos olhos do seu animal, podendo assim conduzir o tratamento de forma adequada.


Autora do artigo: Médica Veterinária Karina Barbosa de Souza Toyooka
Especialista em cirurgia e oftalmologia veterinária

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *